O essencial não vale um chavo, o acessório é que importa

E este pode ser o resumo dos acontecimentos ocorridos naquela espécie de estádio, que ontem se viu a desmoronar. Toda a gente viu, mas parece que não viram coisa nenhuma. Estava lá o Presidente da CML, a Protecção Civil avisou, os bombeiros estavam lá com as macas, a Liga evitou a tragédia ‘ sem demoras ‘ apesar do tempo demorado na decisão que tomou, a Polícia evitou possíveis confrontos mas foi incapaz de proteger os nossos para saírem. Enfim, no dia de ontem apesar das placas de zinco que voaram da cobertura, tudo foi perfeito. E se haverá exemplo de perfeição, que o dia de ontem fique para sempre nos livros.

No essencial da questão só os Sportinguistas se manifestaram: a falta de segurança do recinto naquelas circunstâncias e a forma inacreditável como a segurança dos adeptos do SCP foi manifestamente colocada em causa. Mas isso não importa, isso é acessório. Como a imagem ( abaixo ) de uma criança cheia de medo a ver uma chapa a voar e uns adultos de cachecol vermelho por trás a olhar, complacentes, inconscientes e estúpidos, a admirar o triste espectáculo. O que é que isto tem de essencial? Nada. Ninguém se feriu ligeiramente ou mais a sério, ninguém morreu. Tudo bem, o essencial da questão não é para aqui chamado, nem nunca foi. O que interessa é o acessório, a opinião dos adeptos à saída do estádio, dos engenheiros de ocasião, dos comentadores, do vento tornado temporal, dos paineleiros tipo Seara, cheios de opiniões certeiras que até aos canídeos metem nojo.

O que está em causa para o jogo de amanhã, é tão só o jogo. Esqueçam lá se amanhã aquilo está acabado, se as placas chegam a tempo, se a segurança das PESSOAS está garantida. A Martifer garante, está garantido. O carnide diz que sim, está dito.

O essencial seria que a CML, o Ministério da Administração Interna, o LNEC ou o diabo que os carregue a todos, fossem aquela coisa mal feita e fizessem uma vistoria técnica, bem feita, idónea, independente e séria.

O que importa é o que Sporting disse e a sua posição sobre o essencial do assunto. Que se lixe o resto. Ui, se fosse em Alvalade… Ai, se fosse em Alvalade o que não diriam e faziam para implodir o estádio. O escarcéu que se levantava, pior que a tempestade de ontem?

Mete nojo, no essencial! E é este o clube que eles são, dos adeptos que são e que gozam o pagode. À grande, a rirem-se porque o que é essencial não são as placas de zinco a cairem ao lado das PESSOAS, mas sim a piada acessória do Sporting sair do pardieiro sem perder.

E a coisa resume-se assim. Continua o circo e os palhaços de nariz vermelho fazem lindamente o seu papel. Mas isso é ‘ fait divers ‘, coisas de lana caprina por assim dizer.

Que se jogue o jogo e que ninguém leve com uma placa nas fuças. Bem, isto é se for no lado ao oposto ao nosso, não tenho nada contra. Ficaria é com pena das PESSOAS e se Deus quisesse, que nenhuma criança lá estivesse. Isso é que é essencial! O resto não vale um chavo…

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About Porta 10A

À direita das coisas, Sportinguista convicto, teimoso quanto baste, inventivo, apaixonado, Pai babadíssimo, sempre em família, sempre com Amigos. Adoro artes em especial a fotografia e a pintura. Gostava de ter sido Arquitecto, mas a matemática era tramada. Depois Jornalista, mas não deu. Adoro escrever. Sobre desporto e política, ou sobre uma coisa qualquer. Cristão, crente em Deus, não pratico porque acho que a melhor relação com Ele é directa. Adoro música e existem canções para todos os nossos estados de alma. E isto tudo, sou eu...

4 responses to “O essencial não vale um chavo, o acessório é que importa”

  1. Sandro Santos says :

    Bemmmmm, 8 posts dedicados à situação de ontem…Situação essa que podia ter acontecido em qualquer estadio de futebol…Estou sem palavras…Amanha arranjas mais 8 a falar da roubalheira que foi o jogo e do calceteiro do maxi e do empurrão que seria penalti….

    Estás fortissimo amigo Marcelo.

    Um abraço

  2. Porta 10A says :

    Amigo Sandro,

    Nós, Sportinguistas, temos que utilizar todos os meios ao nosso alcance para que se fale neste assunto e que se o amplifique como tem que ser feito. Porquê? Porque desde o 1º minuto dos acontecimentos, o teu clube e os teus consócios + a comunicação social e todos os paineleiros que vos são afectos, dizia eu, tudo fizeram para branquear e esconder a verdadeira dimensão do que aconteceu. Limpinho, limpinho, se fosse o Jasus a dizer.
    E nós temos que substituir a canalhada da CS que vos faz os favores todos. Por isso 8 posts mais os milhares que sairam nos blogs Sportinguistas. E mais haverá… e por falar nisso, já acabaram as obras no telhado?
    Quando falaste no assunto, pensei numa coisa, um ‘suponhamos’. O meu Bom Amigo Sandro mais um outro familiar, mais o Principe Dinis iam a um estádio ver o seu clube. Não teria que ser em Alvalade, porque estas coisas podem acontecer em qualquer lado. Mas vá, imaginemos que ias ao Municipal de Coimbra. A coisa dava-se nos mesmos moldes da luz. O meu Amigo Sandro ficou retido na bancada por 40m + 20m dentro ( num espaço que não dava para pelo menos 3.000 pessoas… ). Não esquecer o familiar que te acompanha e, mais importante que tudo, o pequeno e lindo Dinis. Gostavas? Gostavas de ver placas de zinco a voar, mesmo que do outro lado e saberes que a tua segurança ficava à mercê de alguém que não percebe a dimensaõ do eventual problema? Acharias razoável? Esperavas? Achas digno de um país civilizado? Respeitavas o plano de evacuação tal e qual ou, percebendo o que se estava a passar, querias sair do estádio o mais depressa possível com o teu ser maravilhoso?
    Pois é… tanta pergunta.
    E depois é veres as fotografias como aquela da criança que está num dos 8 posts dedicados ao assunto…
    Eu, cá por mim, não ficava parado a contemplar a possível desgraça que ia acontecer, muito menos sujeitava o meu filho a isso. E também não me ria.
    Mas pronto, é só um desabafo.
    E passado estes minutos todos de conversa, a obra já está pronta? É que já é uma da tarde e népias…
    Condições de segurança para as pessoas? Nah, isso são outros 500’s.
    E para terminar, em pouco, tempo, atropelaram duas vezes os regulamentos das competições… uma no Restelo e outra em casa no Domingo…
    Mas siga a banda, cantando e rindo ao som das papoilas saltitantes…
    Abraço para ti e para o teu puto giro.
    Marcelo Silva

  3. Sandro Santos says :

    Marcelo, concordo com tudo o que disseste mas o que me choca nisto tudo é que todos colocam a culpa no Benfica. O que aconteceu podia ter acontecido em qualquer estadio ou em qualquer lado, aliás, como aconteceu em toda a Grande Lisboa.

    Deixarem os adeptos do Sporting para ultimo, fechados numa caixa de segurança correndo o risco de levarem com uma chapa não foi uma decisão do Benfica mas sim da PSP (como tu certamente sabes) que é a principal responsavel pela segurança e supervisão das claques neste tipo de jogos.

    Apenas a claque ficou para o fim porque todos os outros adeptos, que estavam em todo o estadio, adeptos do Sporting inclusive, familias com crianças, sairam ordeiramente junto dos do Benfica. É obvio que a claque não pode sair ao mesmo tempo dos outros, porque se isso acontecesse, as chapas a cair do céu e o cabelo do Jorge Jesus seriam o menor dos problemas para quem lá estava.

    Um abraço

  4. Porta 10A says :

    Sandro,
    A culpa do Benfica é relativa ao seu estádio e à manutenção do mesmo. Se está em manutenção, tem que avisar. Na luz como em qualquer outro estádio.
    E o que se passou ali, podia acontecer em qualquer outro lugar ao estádio. O que estava em causa foi, primeiro, uma decisão tardia, depois um plano de evacuação mal executado. E ninguém disse que nesta parte dos acontecimentos, a culpa foi vossa mas sim, foi da policia.
    O que pode ser também criticado, foi a vossa reacção. Ou melhor, da vossa direcção. Zero, bola. Acharam que, com a Martifer, resolviam tudo sozinhos. O que seria mais um atropelo às leis.
    E criticaram o nosso comunicado com a posição do Sporting. Acabaram por perceber que a razão estava do lado de quem queria garantir a segurança das pessoas.
    E provando que sempre estivemos de boa fé, podíamos invocar os regulamentos e vocês perdiam na secretaria… Mas tal não aconteceu e vocês ganharam e bem no campo.
    E se o caso fosse em Alvalade? Ui, o que não seria? Da interdição à implosão ia um fósforo…
    Espero que vos sirva de lição e não deixem as placas voar pela 3a. vez, sem se desculparem com o tempo…
    Abraço,
    MS

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