Coisas ‘ à Porto ‘…

Já lá vai para uns quantos anos que deixei de falar de futebol com o meu Pai. E o motivo foi o meu amigo Ricardo Sá Pinto, um dos meus ídolos da bola de sempre. O enorme Sá Pinto aviou um pera certeira naquele que, dizem, era uma espécie de selecionador nacional da altura. Ele fez aquilo que uns supostos milhões queriam ter feito e não tiveram coragem para tanto. Fez e pagou por isso. Uns dias depois, já não me lembro quantos, o FCPorto veio jogar à Reboleira contra o malogrado Estrela da Amadora. Estava o jogo a caminhar para o seu término,  quando, num acto de enorme galhardia, valentia, coragem e porque não dizê-lo, ‘ excesso de tomates ‘, o árbitro resolve marcar um penalty claríssimo e evidente contra os tripeiros, penalty esse que só mesmo um ceguinho não veria. Claro que os portistas espumaram de raiva e logo ali, manifestaram o seu enorme desagrado. Marcar um penalty ao Porto no final do jogo? Que audácia, que falta de respeito! Da espuma da raiva ao granel instalado, esfumou-se um fósforo e foi vê-los aos gritos com tudo e todos. O ‘ animal ’ Jorge Costa ocupava o seu lugar de defesa central e capitaneou a revolta. Claro, quem mais? E essa manifestou-se até contra a polícia que fazia ‘ protecção ‘ ao jogo. Recordo-me de ver o ‘ animal ‘ a dar um piparote a um polícia que até lhe deixou o chapéu à banda, assim a meio da pinha, para trás tipo ‘ à menino carlinhos ‘. E depois desta confusão toda, expliquei ao meu progenitor que aquilo que tínhamos assistido e que as imagens não desmentiam, também constituía um crime, uma ofensa. Que, podendo não ter a dimensão e a gravidade do que Ricardo Sá Pinto fez, também era feio e merecedor de castigo. Afinal de contas um jogador tinha batido num polícia. Mas muito ‘ à Porto ‘ ( como as vitórias ) ‘ no pása nada ‘. Tudo normal, tudo na boa. Já nem sequer era o ‘ princípio ‘ do sistema, pois há muito que ele estava instalado… Foi apenas um dos seus episódios.

As moscas, que nasceram das moscas existentes têm exactamente  o mesmo adn das antigas. Mudou o esterco, mas as moscas continuam à sua volta. Dos garridos, calheiros, guímaros, pratas de outrora até aos gomes, proenças e motas dos dias de hoje, vai apenas um saltinho. Um saltinho que não representa nada, porque tudo está na mesma e tudo vai ficar igual. Apenas colocaram uns aparelhinhos nas orelhas dos incompetentes.

Quando ouvimos o treinador do campeão nacional dizer que foi uma ‘ vitória à Porto ‘, depois do escândalo do Dragão para a taça da carica, talvez se fique a perceber melhor o que a coisa quer dizer. Se entrar descarada e propositadamente mais tarde no jogo, se demorar vergonhosa e reiteradamente na reentrada, se ganhar com aqueles penaltis é ‘ ganhar à Porto ‘, tudo fica dito sobre o assunto. E depois queixam-se da comunicação social, do centralismo lisboeta e mais não sei o quê…

Pinto da Costa é o rosto do FCPorto e o responsável-mor das suas muitas conquistas ao longo destes anos. Injusto seria dizer que todas foram ‘ à Porto ‘, no sentido que Paulo Fonseca lhe deu. Muitas foram merecidas e fruto do trabalho e mérito de uma boa equipa, comandada pelo ‘ Grande Líder ‘. Mas há famas que vem de longe como o Constantino e delas é difícil livrarmo-nos… assim como aquelas que os supostos lampiões gloriosos se costumam orgulhar nos tempos da outra senhora…

Hoje estão lá os Henriques e os Caldeiras desta vida, homens de absoluta confiança e que fazem, por assim dizer, o ‘ dirty job ‘ do presidente. Longe vão os tempos do caso Iuran…  Mas o homem ainda lá está para as curvas, pese embora o desgaste dos anos e o mulherio que lhe passou à frente e em varões…

Apitos dourados, escutas telefónicas, fruta ó chocolate e pequenos-almoços à parte, há que contar com eles e respeitá-los. Apesar do respeito ser uma estrada de duas vias o que, sabemos, não é uma característica evidente dos portistas e na existência deles…

Hoje, ‘en passant ‘ e sem grande entusiasmo, lá comento umas coisas da bola com o meu Pai. Nada de relevante, tão pouco gerador de conflitos. Ele que é adepto do FCPorto, não ferrenho pelo seu clube ( como eu sou adepto do Sporting ) e que, por tal razão, não me levou para os seus caminhos do portismo. Levou a minha irmã, por simpatia creio, mas a mim não me levou. Se posso dizer felizmente? Sim, posso especialmente pelas vitórias ‘ à porto ‘,essas mesmo, ‘ à Paulo Fonseca ‘ treinador do FCPorto e portista convicto…

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About Porta 10A

À direita das coisas, Sportinguista convicto, teimoso quanto baste, inventivo, apaixonado, Pai babadíssimo, sempre em família, sempre com Amigos. Adoro artes em especial a fotografia e a pintura. Gostava de ter sido Arquitecto, mas a matemática era tramada. Depois Jornalista, mas não deu. Adoro escrever. Sobre desporto e política, ou sobre uma coisa qualquer. Cristão, crente em Deus, não pratico porque acho que a melhor relação com Ele é directa. Adoro música e existem canções para todos os nossos estados de alma. E isto tudo, sou eu...

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