Chewing gum football

O David é adepto do Man.United e o Paul é Gunner, i.e. adepto do Arsenal. Estou a trabalhar com eles num grupo que vamos ter no hotel e porque eles adoram futebol, convidei os dois simpáticos ingleses para ir a Alvalade ver o nosso Sporting. Tinha a esperança, aliás, esperança essa que só nós temos, que o nosso clube nos brindasse com um daqueles jogos tipo já não me lembro de quando, pintado com 4 golos marcados não importava por quem ( até porque eles não conhecem os nossos jogadores ) e eles, como ingleses que são e habituados a grandes ambientes de estádio, celebrassem comigo e sentissem aquela loucura de Alvalade. No fim, pedi-lhes desculpa por ‘ aquilo ‘. Por ter tido a peregrina ideia de levá-los ao nosso estádio, por tê-los feito perder tempo. Como são educados e gostam de futebol o suficiente ( seguramente do bom, não do que viram ), agradeceram e disseram que o nosso estádio é muito bonito e que, cá do alto, se vêem bem os jogadores. Não podiam dizer que se vê bom futebol, porque isso é coisa que anda a milhas de acontecer naquele campo, com aquela equipa.

‘ It was good tu support Sporting ‘ – they said

‘ Sorry, I am embarrassed ‘ – I said

Era intervalo e o banco estava vazio. Os apanha-bolas brincavam com uma bola. Os nossos suplentes também. Penso que, mesmo com o banco cheio de gente, ele me pareceu vazio. E vazio daquele que mais devia preenchê-lo: Ricardo Sá Pinto. Ao intervalo, o speaker tentou ‘ puxar ‘ pela malta, mas até houve um jovem que mandou um recado ao treinador: ‘ ó Ricardo, jogar com Elias e o Gelson não dá… ‘ Nas bancadas a contestação já é mais que evidente. Teimosia, mesmas substituições, zero jogo jogado, zero jogadas ensaiadas, zero, zero a zero. Nada! Amigo Sá Pinto, como sabes eu sou o teu fã número 1 e isto custa muito a ouvir, mas o que é que queres que a malta diga? Como é que queres que os adeptos e sócios não mandem umas assobiadelas valentes?

Numa tradução selvagem disse aos meus pacientes companheiros de bola David and Paul, que o Sporting jogava um jogo tipo chewing gum, pastilha elástica portanto. Tudo tão mastigado que até enjoa. De repente estás na área e no passe a seguir o Rui Patrício está a tocar na bola. E as pastilhas elásticas, depois de muito mastigadas, ficam sem sabor. Apesar de não ser a melhor das traduções, os meus convidados perceberam a imagem. Lá em baixo, aquela coisa branca com ferros e redes era algo inatíngivel. Podem tirar aquela para onde atacamos, pois é coisa de pouca ou nenhuma serventia. Por ora, zero. Esperemos que um dia destes consigam abrir a porcaria do frasco do ketchup, como diria o CR7.

Para terminar, nem sequer vou comentar as declarações ‘ da cabeça erguida ‘, do ‘ foi um Sporting muito bom nos primeiros 30 minutos ‘, ‘ a frustração também é nossa ‘ e ‘ os golos teimam em não surgir ‘. Acho que chega de auto-flagelação. Basta de sofrimento e de azias.

E para levar convidados estrangeiros a ver ‘ aquilo ‘, mais vale ficar quieto.

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About Porta 10A

À direita das coisas, Sportinguista convicto, teimoso quanto baste, inventivo, apaixonado, Pai babadíssimo, sempre em família, sempre com Amigos. Adoro artes em especial a fotografia e a pintura. Gostava de ter sido Arquitecto, mas a matemática era tramada. Depois Jornalista, mas não deu. Adoro escrever. Sobre desporto e política, ou sobre uma coisa qualquer. Cristão, crente em Deus, não pratico porque acho que a melhor relação com Ele é directa. Adoro música e existem canções para todos os nossos estados de alma. E isto tudo, sou eu...

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