Desilusão?

Caros:

Sento-me aqui, com o maior dos patriotismos, admitindo o meu sofrimento por tudo em que veja as cores nacionais envolvidas. No entanto não posso deixar de desabafar, no final deste 1º dia a sério de Jogos Olímpicos, acerca da prestação da nossa equipa olímpica de natação. Um exemplo: “…o único nadador português que conseguiu mínimo A para os Jogos, nadou claramente abaixo das suas possibilidades nos 400 metros estilos. Terceiro na sua série, foi 26.º globalmente, com o tempo de 4:23,06 minutos, quase cinco segundos mais do que o recorde nacional, que lhe pertence, com 4.18,08 (02 de agosto de 2009, em Roma).”

Percebo um pouco de desporto e custa-me a compreender como é que um nadador, que é preparado durante 4 anos para competir nesta prova, faz 5 segundos acima do recorde… nacional! Compreenderia se, na modalidade, existisse um conjunto de variáveis não controláveis e com verdadeiro significado num resultado final. Agora, na natação???? Somos nós, a água e pouco mais. 5 segundos acima? Terão os factores psicológicos tanto peso assim? Se sim, onde andam os psicólogos do desporto? Sei que os têm e sei que os consultam, para além de saber que estes Drs. também recebem por dar este apoio. 5 segundos acima? Mesmo que o recorde nem fosse dele, supostamente não deveria lá ir, a Londres, o nosso melhor nadador da actualidade? Se houvesse vento, chuva, frio, chuteiras que tem os pitons mal apertados, árbitros que influenciam o resultado, adversários mais fortes que se tivessem atravessado à frente… mas não, somos só nós, a água e pouco mais… 5 segundos a acima?

Correndo o risco de parecer injusto e de não estar a ser coerente com os ideais olímpicos, muito sinceramente, o que vão então lá fazer? Esperar que os outros 7 da nossa série se afoguem?!!!

Rematando, o nosso nadador disse à imprensa (para descanso de todos os portugueses):

Não me senti bem no início da prova, não sei o que se passou. Nos treinos, as coisas têm corrido bem, mas no desporto nada é certo, há coisas que fazem diferença. Tive uma quebra em costas, que é o meu pior estilo. Os adversários passaram-me e já não consegui recuperar”, afirmou o português, que já tinha sido 26.º em Pequim2008.

…disse não se sentir “nada frustrado”, resumindo o seu desempenho numa frase: “Simplesmente, não correu bem”. Agora ainda vai disputar os 200 metros estilos, quarta-feira, e promete “tentar melhorar”.

Portanto… analisando friamente: há 4 anos foi 26º, hoje foi… 26º. Não se sente “nada frustrado” (ainda bem) e explica claramente “simplesmente não correu bem” (fiquei esclarecido). Mas calma porque o senhor, na quarta-feira, vai “tentar melhorar” (cá estaremos para ver). Cuidado Phelps!!!

Posso estar a ser o mais injusto deste mundo, mas então expliquem os motivos destes resultado, sendo coerentes e frontais e não estando sempre a esconder-se atrás da frase mítica: “faltam-nos apoios…”. Isto só porque ninguém é atleta e vai aos Jogos Olímpicos pagando o seu próprio bilhete…

Cristóvão Silva

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About Porta 10A

À direita das coisas, Sportinguista convicto, teimoso quanto baste, inventivo, apaixonado, Pai babadíssimo, sempre em família, sempre com Amigos. Adoro artes em especial a fotografia e a pintura. Gostava de ter sido Arquitecto, mas a matemática era tramada. Depois Jornalista, mas não deu. Adoro escrever. Sobre desporto e política, ou sobre uma coisa qualquer. Cristão, crente em Deus, não pratico porque acho que a melhor relação com Ele é directa. Adoro música e existem canções para todos os nossos estados de alma. E isto tudo, sou eu...

4 responses to “Desilusão?”

  1. João B. says :

    Cuidado Phelps que pioraste 6 segundos…presumo que também não tenha lá ido fazer nada…
    O grande inconveniente dos JO é haver gente que pensa que determinados desportos só existem de 4 em 4 anos e ainda acharem que são entendidos na matéria…

    • Porta 10A says :

      Caro João:

      O meu “entendimento” na matéria vai bem para além do mínimo indispensável para comentar sobre o assunto. Por isso, caro João, não me revejo na “gente que pensa que determinados desportos só existem de 4 em 4 anos e ainda acharem que são entendidos na matéria…”, lamento…

      Ninguém os obriga a ganhar, apenas os obrigamos a representar dignamente o nosso país e isso passa muito para além do entrar em campo, dentro de água ou em pista. Esperamos apenas e só toda uma postura, uma capacidade de reacção às adversidades e toda uma comunicação condizente com um representante de Portugal e não o eterno esconder-nos atrás do fado nacional, do encolher de ombros e da justificação oca…

      Merecemos mais como apreciadores de desporto e de toda a ética e envolvente desportiva que alguns de nós ainda consegue apreciar para além dos clubismos e facciosismos.

      Quanto ao Phelps, provavelmente até nem lá deveria ter ido, mas já tem uma medalha de prata. Mas claro que deverá servir de base para copos lá em casa dele…

  2. P. Sousa says :

    Amigo Cristovão. Se não existissem variáveis, então podiam dar logo as medalhas ao Phelps. Essas variáveis existem, e o Phelps ontem ficou em…quarto na sua série. A maior varíavel é a “borra da cueca”. Não te lembras da Naide Gomes à 4 anos? Favoritíssima à medalha de ouro e nem à final foi. Aquilo também é só correr e saltar (seguindo a tua teoria) sendo que claramente o que lhe aconteceu foi borrar a cueca!

  3. Porta 10A says :

    Caro Cristovão,

    Creio que o teor do post tem mais a ver com cultura da desculpabilização que é tão cara aos portugueses. É aquela coisa conhecida : ‘ na caminha é que se estava bem… ‘. Acordar cedo para participar na prova das provas é, digamos, perder horinhas de sono…
    É o que temos. É o que somos.
    Independentemente das variáveis, que as há, deveriam os atletas ser mais responsáveis, mais responsabilizados. Pode não haver medalhas, mas importa haver resultados, entrega máxima, superação. Mais alto, mais longe, mais forte.
    Cá no burgo, há alguma dificuldade em perceber estas máximas, salvo as conhecidas e honrosas excepções.
    Estes foram, segundo o presidente do COP, os jogos melhor preparados de sempre, logo deverão ser os jogos onde melhores resultados iremos obter, numa lógica simples.
    Mas como aquilo não é lógica simples nem matemática pura, esperemos que as variáveis não nos ‘ tramem ‘ e que nos momentos da verdade, os nossos consigam superar-se.
    Pedir medalhas será ‘ exagero ‘. Pedir bons resultados terá que ser sempre habitual.
    Viva Portugal!
    Marcelo Silva
    Porta 10A

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