Talvez fosse importante pensarem nisso…

Fui ao sítio da APAF sem esperança alguma de lá encontrar um endereço de e-mail. Claro que não há! Se houvesse, a corporação era inundada por milhões de e-mails a chamarem-lhes todos os nomes do mundo e outros a infectá-los com vírus. Eu ia enviar um. Só a chamar-lhes cobardes. Assim, ratos cobardolas pois nem um pio se ouve sobre as declarações dos lampiões após o jogo com os tripeiros. Percebe-se, não dá jeito, não se morde a mão ao dono…

Num sítio absolutamente básico ( também não seria de esperar outra coisa ), encontrei lá este texto de uma árbitra e psicóloga, de seu nome Maria João Freire e que partilho aqui no Porta 10A. Acho que merece ser repassado:

O árbitro e a sua vida social

Poderá o árbitro frequentar lugares onde se encontram pessoas ligadas ao mundo do futebol? E se o árbitro encontrar algum director desportivo com quem tem boas relações pessoais? E, se “alguém” vê esse aperto de mão? E se, no futuro, esse árbitro arbitrar um jogo do clube desse director desportivo, com quem bebeu um copo socialmente naquela ocasião, e esse clube tiver ganho por causa de um fora de jogo que foi marcado por ter sido duvidoso (até para os milhares que assistiram ao jogo pela televisão) ou por uma grande penalidade que não existiu porque se provou que o jogador “sacou” bem essa falta? E se, por tudo o que aconteceu, misturando tudo numa panela de pressão, o pipo saltar, ela explodir e for levantado um processo por suspeição acusando o árbitro de ter influenciado o resultado? O que vai acontecer à nossa democracia? O que é a nossa democracia e justiça? O que é a liberdade? O que é a liberdade nos dias de hoje? Voltámos às aparências? Voltámos a ter que nos esconder? A resposta deveria ser: sim, claro, com as devidas reservas, há locais e locais, há encontros ocasionais e outros que dificilmente acontecem por simples coincidência. Ora pois, esquecemo-nos é que o país é muito pequeno, todos se conhecem, se não se conhecem já ouviram falar… e daí?
Como psicóloga, tenho que perguntar o seguinte: como é que árbitro se sente, quando envolvido num processo deste tipo? Injustiçado? Zangado? Triste? Ansioso? A melhor pergunta seria: como se deve sentir o árbitro quando todas as semanas é alvo de suspeição? Talvez a melhor pergunta não seja para o árbitro mas para o público: como se sentiria se estivesse na pele do árbitro?
Talvez seja importante pensar nisto.

Creio, que todos nós já quisemos ou tivémos vontade bater num árbitro num qualquer shopping deste país. Ou, no mínimo, dizer-lhe umas quantas verdades. Mas depois de (re)ler o que está acima escrito pela psicóloga barra árbitra ( ou vice-versa ) tenho que colocar as mãos na consciência e reflectir. Não posso, não podemos ser assim com os árbitros. Eles não merecem, coitados. São uns injustiçados. Sentem-se zangados, tristes, ansiosos e vítimas de suspeição.E como se sentirão eles no trabalho do dia-a-dia? Falam com alguém à hora de almoço? Terão amigos? Poderão andar direitos na rua? Quantas vezes é que se tem que esconder por semana? Vão às lojas ou só o fazem compras online? Conseguem viver com o peso das suas consciências? Conseguem ver, perceber e reflectir sobre os seus constantes erros? O que fazem para melhorar?

Talvez fosse importante pensarem nisso. E deixarem-se de… cócós…

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About Porta 10A

À direita das coisas, Sportinguista convicto, teimoso quanto baste, inventivo, apaixonado, Pai babadíssimo, sempre em família, sempre com Amigos. Adoro artes em especial a fotografia e a pintura. Gostava de ter sido Arquitecto, mas a matemática era tramada. Depois Jornalista, mas não deu. Adoro escrever. Sobre desporto e política, ou sobre uma coisa qualquer. Cristão, crente em Deus, não pratico porque acho que a melhor relação com Ele é directa. Adoro música e existem canções para todos os nossos estados de alma. E isto tudo, sou eu...

2 responses to “Talvez fosse importante pensarem nisso…”

  1. Cozinheiro Sueco says :

    Caro Porta 10A,

    Eu próprio já tive vontade de bater num árbitro num qualquer shopping deste país. Mas sou um tipo civilizado, sabe? Seria de todo inapropriado. Esperei que saísse e enfardei-lhe cá fora. Para não maçar a clientela.

  2. Porta 10A says :

    Cozinheiro,

    Se me acontecer algo parecido, faço como o amigo, dou-lhe cá fora.

    E não se suja o ‘ shópe ‘.

    SL

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